terça-feira, 11 de novembro de 2008

Novos contos de amor


Tudo começa com flores. Aparece repentinamente um príncipe vestido de branco, cuja espada em sua bainha é mais reluzente que o sol, o cavalo é um charme, principalmente quando o dono cavalga imponente e viril. Entretanto a realidade saiu dos contos de fada e o príncipe aqui é equivalente a um sapo, que não está sob efeito de feitiço, mas que por convicção insiste em se mostrar frio e inflexível. Talvez por considerar coisa de mulher demonstrar afeto e sensibilidade, provavelmente por não possuir o cavalo, o mais próximo do cavalo que pode estar são as corridas que vê pela televisão ou atitudes grosseiras que se assemelham aos hábitos do animal, que aos olhos humanos ocidentais é símbolo de rusticidade e ignorância ou ainda por receber uma formação sociocultural que transforma o homem na figura do garanhão, dominador e pouco aberto a dialogo.
São carros, contas e trabalho que constroem o cenário do príncipe contemporâneo. Os desafios desse personagem que busca ir das estórias para os dias reais são infinitos e mais assustadores que qualquer bruxa ou madrasta. A família, os filhos, a namorada são as dificuldades possíveis para alcançar um final feliz. As relações receberam nova roupagem, as mulheres são independentes e cobram companheiros presentes e ativos dentro da relação, o coitado do homem educado em uma estrutura familiar totalmente diferente do novo estilo de casamento e namoro está perdido, meio sem rumo em algum bosque neste mundo.
O fato é que a mudança chega para todos e os contos de fada também serão escritos por casais que tiveram mais de um relacionamento, por princesas que não foram presas em torres, mas estavam em bancos de universidades lutando por uma vaga no mercado de trabalho, por sapatos não de cristal e sim de couro sintético. Os rapazes devem começar a correr atrás do prejuízo, abrir as caixinhas onde se escondem e enxergar o cotidiano por novos ângulos. Ainda há tempo do sapo virar príncipe e as relações mudarem de patamar para um nível de intimidade maior, que supera os discursos dos fanks de sexo escrachado, o negócio aqui é a defesa do bom e velho romantismo das épocas de serenata no portão. Assim como a moda vai e volta e tudo pode ser adequado às novas tendências, deve ser o amor que se apossa dos novos meios de comunicação, das novas concepções e conhecimentos para expressar a grandeza de amar.


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Fabíula Souza

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